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Mensagem visualizada, e não respondida

de leitura

quarta-feira, julho 08, 2015



Ela estava muito ansiosa. Havia 2 dias que olhava o celular a cada minuto para saber de alguma novidade dele. Qualquer atualização. Facebook, Instagram, qualquer coisa. No Whatsapp ele não aparecia online, mesmo assim verificava isso a todo momento, dessa forma saberia se estava sendo evitada.  Ela queria apenas uma definição, um chamado, uma certeza de que ele quereria algo com ela. Algo sério, é claro.


Sentia-se muito estúpida por ter mandado aquela mensagem demonstrando o que sentia por ele e perguntando se ele queria fazer algo no final de semana. Não recebeu resposta. Quer dizer, mensagem visualizada, e não respondida. Isso era de matar. A pior das covardias. É como se estivesse despida na frente dele esperando que ele decidisse o que fazer. Sentia-se vulnerável. Irritada!



Decidiu ser rebelde. Cansou daquilo tudo. Deixou o celular carregando a bateria na cozinha, NO MODO SILENCIOSO! Era algo extremo, mas necessário. Foi para a sala, e apagou as luzes da casa. A escuridão parecia ser mais acolhedora. Deitou no sofá e decidiu que ia deixar pra lá. Pensar em outras coisas seria um bom começo para esquecer toda essa história.



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De repente, quando as esperanças pareciam esgotadas, eis que surge a vibração vital. O modo silencioso não era tão silencioso assim, e o vibrar do celular ecoava dentro do seu coração.



Ali, ainda deitada no sofá, seu corpo assume reações involuntárias. Seu sistema nervoso central dispara um sinal de alerta. Imediatamente suas glândulas suprarrenais começam a liberar adrenalina. Isso eleva a pressão arterial, e os batimentos cardíacos ficam... Aceleradíssimos! É como se ela estivesse recebendo todas as curtidas que esperou naquela foto de final de semana com biquíni à beira da piscina com a legenda: “de ontem”. Seu sistema límbico controla suas emoções buscando na memória a melhor ação para o momento. Mas o que fazer?? Pular do sofá e correr! Isso! Vai!



O fluxo sanguíneo nos músculos aumenta deixando-os prontos para a situação. A sensibilidade e seu reflexo estão a postos. Ela vai conseguir! Sai do sofá meio que desajeitada mas consegue equilibrar-se rapidamente. Bate com o joelho na mesinha de centro, mas seu foco agora não é na dor. Corre em meio a escuridão da sala ao tempo em que suas pupilas são dilatadas ao máximo para captar qualquer sinal de luz. A cara fica pálida com a redução da irrigação sanguínea nos vasos superficiais do rosto, mas essa aparência histérico-fantasmagórica não importa naquele momento. Continua correndo de boca aberta, olhos arregalados e com as mãos para cima.


Vê a luzinha do celular acesa lá na cozinha. Seu cérebro calcula todos os obstáculos e o caminho que deve seguir. Como em um filme de ação, ao aproximar-se do celular, pula e finaliza com um rolamento ninja, deslizando pelo chão até finalmente alcançá-lo em cima da mesa. Desbloqueia-o em 0,5 segundos e focaliza toda a sua atenção para ler a seguinte mensagem:


“Você atingiu 80% da sua franquia diária de 10MB. Ao atingir 100% sua navegação será bloqueada. A TIM agradece”.



O sofrimento iria continuar.



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