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Em busca da endorfina perdida

de leitura

sábado, setembro 26, 2015



Sentada na beirada do colchão da minha cama enquanto ele se aproximava, fui estimulada ao máximo. Sua voz, seu olhar, seu toque, sua conversa sacana. Tudo isso trazia várias lembranças eróticas ligadas as minhas fantasias de liberdade. Eu, ansiosa como sempre, imaginava todo o processo que estava por acontecer dentro de mim. Em poucos segundos meus neurotransmissores espalhariam toda essa informação entre as células nervosas e como se tivessem vida própria, gritariam fervorosamente para minha libido adormecida: acorde minha filha! Vai lá!

Naquele momento, eu já sabia que, consciente e inconscientemente, minha libido ativaria uma cadeia de processos complexos do sistema nervoso liberando substâncias químicas que envolveriam todo o meu corpo. Eu não resistiria. Meu apetite tornou-se quase que insaciável, e sem qualquer interferência orgânica ou emocional que alterasse a minha percepção do desejo, do MEU desejo, eu o desejei! E muito! A intensidade do que eu sentia fazia surgir em mim a certeza de que eu deveria seguir em frente. E foi o que eu fiz. Tornei-me totalmente receptiva e aceitei a dominação.

De forma brusca e calorosa, fui domada por algo que, ao contrário do que imaginava, não inibia meu desejo, mas agia de forma antagônica ao que sempre proclamei. O contato físico forte me agradava. Meu hipotálamo estava maluco, e obediente aos meus impulsos cerebrais, eu ia gostando cada vez mais de tudo aquilo. A sinfonia hormonal começava a preparar o meu corpo para o ápice do prazer. Nunca gostei tanto da palavra enDORfina.









Eu percebia cada modificação no meu corpo. O que era seco e contraído lubrificou-se, alargou-se. A
elevação da pelve e as contrações musculares in-vo-lun-tá-ri-as harmonizavam-se com os mamilos enrijecidos. Polêmicos. A miotonia era mágica para mim. A congestão vascular causada pelo acumulo da circulação sanguínea sensibilizava meus lábios. Todos eles! Grandes, pequenos, maquiados. Uniformemente em movimentos de vai e vem, notei que estava pronta para o êxtase. Em pouco tempo a plataforma orgásmica liberou toda a tensão acumulada em mim. Gozei.

Ainda ali, deitada na cama, nua ou seminua - não me lembrava do quanto precisei despir-me para chegar onde cheguei, as dores e as marcas no corpo, os fios do meu cabelo grudados no lençol da cama e o suor que ainda escorria, deixavam claro que foi tudo muito intenso, mas algo começava a me desconsertar.

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Tão logo recobrava meus sentidos e voltava a racionalizar meus dilemas diários, comecei a sentir culpa e uma vontade enorme de sair correndo da minha própria casa, da minha própria cama, da minha própria vida. Mas não podia agir assim. Tinha que ser forte e resolver toda a situação. A vontade de chorar só aumentava no momento em que eu criava coragem para encarar o rosto de um homem que eu não conhecia. A única certeza que eu tinha é que não era o meu marido.

Meu relacionamento faliu e eu não tinha um plano de fuga. Aprisionei-me em uma relação morna e monótona. O sexo não era eu quem fazia, era ele. Apenas ele e um corpo que não queria estar ali, mas estava, aprisionado e cumprindo a pena perpétua que eu mesma decretei. Se é certo ou não fugir sem terminar algo eu não sei, mas não resistir à vontade de me libertar.

É eu sei, as pessoas dizem que sexo não é tudo e que buscam outras coisas em um relacionamento além disso, mas a verdade é que na prática, minha relação começou porque eu gritava aos quatro cantos que faltava amor em mim e para mim, e hoje minha vida resume-se a falta de sexo. Falta de sexo do jeito que eu nunca tive.



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