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Nega do cabelo duro

de leitura

quarta-feira, novembro 11, 2015



Meu cabelo é duro, é crespo, é liso, é preto, é loiro, é ruivo, é grande, é curto, é do jeito que eu quiser que seja. É o que me der vontade de ser naquele momento da minha vida. Minha descendência, tenha eu mais, menos ou nenhum contato com ela, não se perde e nem se confunde com a minha liberdade de me sentir dona de mim mesma. O que você define não é o que eu sou, e eu sou o que eu quiser.

Sou mulher, nem pior nem melhor do que outra apenas por assim o ser, mulher. Seu gosto é todo seu, e o direito de escolher também o é, assim como o meu. E eu escolho ser eu mesma, nega, preta, negra, negona, neguinha. Sou qualquer coisa que eu quiser e aceitar, menos o que você tentar definir. E não tente, porque o seu preconceito é o rosnar de um cão frágil e amedrontado tentando parecer forte, tentando garantir-se por uma aparência, e aparência, meu caro, só parece, só parece...

Eu sou rica, eu sou pobre, eu sou feia, eu sou bonita, eu sou boa, eu sou má, sou ótima mãe, sou a maior das megeras, sou graduada, sonhadora, sou simples ou complexa, sou a que você rejeitou, sou a que você tanto quer. Eu sou comum e diferente. Não quero ser melhor nem pior simplesmente por causa da cor da minha pele ou pelo estilo do meu cabelo. O que eu quero é a oportunidade de poder ser melhor ou pior por SER ser humano. E SER humano não é ser branco. SER humano não é ser preto, amarelo, verde, roxo, azul. SER humano é fazer algo mais do que existir para que toda nossa vida tenha algum sentido bom para todos. A condição do contexto social ousa dificultar tudo isso para mim, mas eu ouso enfrentar. E não vou desistir.

A escravidão surge e perpetua-se quando EU aceito como uma verdade a imposição de que jamais poderei ser o que eu quiser. Sinto muito, mas preciso informar que a sua imposição só alcança a altura do seu próprio medo de perder, essa possível “estabilidade”, por razão da sua cor. O seu rosnar não pode mais me calar, e por um motivo simples, eu sou livre POR DENTRO e POR FORA, e nenhum dos seus ataques pode me escravizar.

Este texto não tem a menor pretensão de passar o que uma mulher negra “sente na pele”. Não tenho os requisitos necessários para isso. Escrevo como ser humano, e luto pelo seu direito de poder fazer o mesmo. Não aceite nem tolere o que desvaloriza a sua essência. Essência humana.

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