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Um relacionamento nocivo pode baixar a sua imunidade

de leitura

quinta-feira, julho 14, 2016



É sabido que algumas pessoas têm a tendência de buscar continuamente garantias de que são amadas. Geralmente passam a maior parte do tempo tentando agradar para receber de volta o mesmo comportamento. Agradam para serem agradadas. Esse ciclo contínuo e vicioso cria o que chamamos de "apego ansioso", pois tais pessoas temem ser rejeitadas e se vinculam a ideia de que podem perder o afeto (migalhas) que recebem no momento em que pararam de agradar.

É também muito comum que pessoas apegadas a esse tipo de comportamento interpretem situações ambíguas, confusas ou inexplicáveis sempre de forma negativa. Pensar assim acaba por impulsionar a ansiedade, que por sua vez gera mais estresse, e assim um novo ciclo começa. É como se a mente ficasse o tempo inteiro tentando calcular a probabilidade desses eventos negativos acontecerem, mesmo quando a lógica deixa claro que é improvável que eles ocorram.

Pesquisas pelo mundo têm comprovado o que já se percebe na prática, o estresse e a dependência emocional em relacionamentos pode levar qualquer pessoa, em pouco tempo, a níveis altos de cortisol* no organismo.

* O cortisol é um hormônio esteroide que é liberado em resposta ao estresse.


Um estudo realizado pela pesquisadora Lisa Jaremka, da Universidade do Estado de Ohio (EUA) trouxe algumas dessas comprovações.  Ela pediu a alguns casais que respondessem questionários sobre seus relacionamentos. Feito isso, ela coletou amostras de saliva e sangue para medir os níveis de cortisol e para contar o número de células específicas do sistema imunológico.

O estudo demonstrou que pessoas casadas que vivem em relacionamentos nocivos, onde o estresse, ansiedade e o apego emocional predominam, produzem níveis mais altos de cortisol, além de apresentarem menos células T* em seu organismo, se comparadas às pessoas com níveis considerados normais de ansiedade, apego e estresse no relacionamento. O excesso de cortisol e falta de células T tornam-se fatores preponderantes para que o sistema imunológico entre em declínio. 

* Os linfócitos T são células com variadas funções em nosso organismo. Essas células possuem enorme importância para o sistema imune.

O sistema imunológico é a nossa defesa pessoal. É ele quem impede que alguns agentes externos entrem em nosso organismo e nos cause as mais diversas doenças. O sistema imuno é composto por uma rede de células, tecidos e órgãos, os quais são responsáveis pela proteção do nosso corpo. Essa rede de células protetoras são os leucócitos ou glóbulos brancos, que tem a função de atacar qualquer organismos que possivelmente possa causar doenças. Essas célulal se localizão no timo, no baço e na medula óssea, que são conhecidos como os “órgãos linfáticos”.

Os sintomas de um sistema imunológico debilitado são vários, mas o principais são:
1. Cansaço contínuo e sensação de esgotamento;
2. Infecções frequentes;
3. Resfriados, gripes, dores de garganta (viroses em geral);
4. Alergias;
5. Feridas que demoram a cicatrizar.

Não tenho dúvidas de que em todo e qualquer relacionamento há preocupação e ansiedade relacionados às atitudes do parceiro, mas o alto nível de ansiedade ligada ao apego está diretamente relacionado à preocupações contínuas e excessivas.


É importante ressaltar que a forma de se comportar e interpretar as relações tem enorme influência dos cuidados recebidos de forma consciente e inconsciente durante toda a infância. Dessa forma, o apego e ansiedade excessivos do presente precisam ser trabalhados com foco no comportamento presente e experiências passadas de cada indivíduo.

Por fim, resta deixar claro que as pessoas que se encontram nessa situação, ou seja, um relacionamento desgastante e saúde emocional abalada, podem mudar. Esse não é um estado permanente que se instala e nunca mais vai embora. A terapia é uma excelente ferramenta para corrigir determinadas disfunções e recuperar, aos poucos, a qualidade de vida.

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Para quem quiser saber mais sobre as pesquisas da Lisa Jaremka: http://www.lisajaremka.com/research.html

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