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  • Sintomas exagerados da gripe no homem? Não é drama!










    Em meio a onda de frio, após se arrumar toda para ir trabalhar, você vê seu pai, seu irmão, marido, namorado, ou seu amigo agonizando, com cara de quem acabou de correr uma maratona em jejum, gemendo como se fosse um zumbi desamparado. Você preocupada, achando que pode ser um AVC ou coisa pior, pergunta: o que você tem? Ele, com extrema dificuldade para abrir a boca e falar, se esforça um pouco e consegue soltar sons típicos de um moribundo e diz: acho que estou GRIPADO.

    É eu sei, provavelmente você tenha rido e dito para ele parar de fazer drama (ou não).  Sim, parece drama mas a verdade é que ele pode estar morrendo mesmo.

    Podemos dizer que existe a "gripe dos homens" e a "gripe das mulheres". Essa ideia começou a ganhar relevância em 2017 quando Kyle Sue e outros pesquisadores da Universidade de Newfoundland, no Canadá, analisaram diversas pesquisas científicas sobre esse tema.



    Nessa ocasião restou constatado algo que já era de se imaginar: homens possuem uma resposta imune mais fraca quando se trata de infecções respiratórias virais típicas e da gripe. Homens sentem mais sintomas, com mais intensidade e com duração maior do que as mulheres. Justamente por isso possuem probabilidade maior de necessitarem de hospitalização por causa de uma "simples" gripe.


    E qual seria o fator principal para essa diferenciação? 

    A questão hormonal. Embora ainda hajam muitos cientistas que insistam em desconsiderar o fator hormonal nas mais variadas reações químicas e biológicas do nosso organismo, continuo afirmando o que sempre afirmei: Se olharmos pela ótica do sistema imune e endócrino, homens e mulheres são quase que de espécies diferentes (sim, estou exagerando de propósito). Não é apenas em doenças virais que essa discrepância é observada. Em vários dos transtornos psicológicos, o fator hormonal também tem papel preponderante, em especial na ansiedade (meu grande objeto de estudo) e depressão, os quais têm maior incidência em mulheres.

    Se quer entender isso um pouco melhor, sugiro pesquisar sobre a influência dos níveis de testosterona e do estradiol na reposta do sistema imunológico. Não escrevo aqui para que o texto não fique muito extenso. Quem sabe faço isso em outro artigo.

    Percebam que eu disse o fator PRINCIPAL, e não o ÚNICO fator. Sendo assim, desde hábitos comportamentais até mesmo nutricionais podem influenciar nos sintomas de qualquer doença. Homens costumam não se importar tanto com a higiene (sim, estou generalizando), bebem mais, fumam mais, vão menos ao médico e demoram mais tempo para começar a tratar os sintomas que sentem. 

    De qualquer forma, uma coisa é certa, precisamos parar de analisar homens e mulheres como se fossem seres sem maiores distinções. Sejam os contrastes fisiológicos, comportamentais ou psicológicos, notar tais diferenças é algo fundamental para adoção de tratamentos específicos e mais eficientes.

    FONTE: The science behind “man flu”

    Grande abraço.

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